Já vou começar este post dando os créditos ao Jurandir Gouveia que tem um canal com o mesmo nome no YouTube: https://www.youtube.com/@JurandirGouveia
Sou apaixonado por tudo que se refere a audiovisual – pintura digital e tradicional, design gráfico, filmes, séries, vídeos, animações, música…
Esses dias assisti a um vídeo engraçado em que o Jurandir tenta converser a esposa a ver um filme nacional junto com ele.
Esses dias vi um vídeo sobre comunicação assertiva — e ele bateu direto com o que eu vejo no meu dia a dia.
Trabalhando com criação de sites e materiais audiovisuais, é muito comum o briefing chegar… confuso.
Não é falta de esforço.
Na maioria das vezes, é o contrário: o texto vem cheio de tentativas de “valorizar”, de parecer diferente, de soar mais sofisticado.
Só que, na prática, isso costuma ter o efeito oposto.
Em um cenário onde todo mundo já está com o cérebro saturado de informação, quanto mais difícil de entender, maior a chance de ser ignorado.
Pode até funcionar em contextos muito específicos.
Mas, na maioria dos casos, só atrapalha.
Foi por isso que eu resumi em 5 pontos simples o que esse vídeo ensina sobre comunicação assertiva:
1. O Problema da Verborragia
- Simples: Não use palavras difíceis para parecer inteligente; isso só afasta as pessoas.
- Aprofundado: Quando você usa jargões técnicos ou termos muito abstratos, o cérebro do cliente “desliga” porque precisa gastar muita energia para entender o que você está vendendo. No marketing, se o cliente ficar confuso, ele não compra. Na sua consultoria, evite termos como “ressignificação do capital humano” se você puder dizer “ajudo sua equipe a produzir mais sem estresse”.
- Exemplo do vídeo: O caso do estudante que tirou zero na Fuvest por usar palavras como “procela” e “grandiloquência”, criando um texto vazio e sem sentido prático.
2. O Elemento Concreto (Ideia que se segura na mão)
- Simples: Mostre algo material e claro que o cliente consiga visualizar imediatamente.
- Aprofundado: Boas ideias são concretas. O vídeo cita Steven Spielberg, que dizia que uma boa ideia de filme deve ser explicada em 25 palavras ou menos. Em vez de vender “uma jornada de transformação organizacional” (subjetivo), venda “um método para reduzir a rotatividade de funcionários em 30% em seis meses” (concreto). O cliente precisa “ver” o resultado.
- Exemplo do vídeo: O filme A Garota Ideal poderia ser vendido como “uma busca pela introspecção”, mas é vendido como “um homem que decide namorar uma boneca de plástico”. É algo material que gera curiosidade imediata.
3. A Regra de Ouro: Atrair, Emocionar e Pensar
- Simples: Primeiro você chama a atenção, depois cria uma conexão e só no fim faz a pessoa refletir.
- Aprofundado: Muitos consultores tentam inverter a ordem, querendo que o cliente “pense” na importância do RH antes mesmo de estarem interessados. O roteiro de sucesso deve seguir essa hierarquia:
- Atrair: O que você resolve agora? (O conflito).
- Emocionar: Como isso afeta a vida/empresa dele?
- Pensar: Quais são os conceitos e teorias por trás do seu método?
- Exemplo do vídeo: O filme do Chico Bento atrai pela promessa simples de salvar uma goiabeira, emociona com a nostalgia e, só no final, faz pensar sobre o progresso urbano e memórias afetivas.
4. Simplificação de George Orwell
- Simples: Se puder cortar uma palavra ou usar uma menor, faça isso. Nunca use termos científicos se houver um comum.
- Aprofundado: O vídeo utiliza as regras de Orwell para “salvar” sinopses ruins. Para a sua consultoria, isso significa eliminar a “voz passiva” e os termos estrangeiros desnecessários (o excesso de english buzzwords no RH). A clareza demonstra domínio sobre o assunto; a complicação demonstra insegurança.
- Exemplo do vídeo: A sinopse do filme Manas era abstrata demais ao falar em “engrenagem violenta”. O Youtuber simplificou para: “Uma garota percebe que a escolha de uma vida melhor não foi da sua irmã e precisa agir antes que a próxima seja sua irmã mais nova.”
5. Defina o Conflito e o Objetivo
- Simples: Diga claramente quem é o personagem (seu cliente), qual o problema dele e o que ele quer alcançar.
- Aprofundado: Uma proposta de venda é, no fundo, uma pequena história. Se o cliente não entender qual é a “batalha” que será travada e o que ele ganha no final, ele não se engaja. Na consultoria de RH, o conflito pode ser “o dono da empresa que é refém dos próprios funcionários” e o objetivo é “a liberdade de ter uma operação que funciona sozinha”.
Exemplo do vídeo: A sinopse que convenceu a esposa a ver o filme Timidez foi: “Dois irmãos, um cego e um louco, aguardam uma vizinha e travam uma batalha psicológica que definirá o futuro de ambos.” Curto, direto e com conflito claro.